Forense digital em incidentes cibernéticos: quando sua empresa precisa ir além do básico

A Forense digital identifica, analisa e reconstrói fatos no ambiente digital por meio de evidências técnicas, apoiando investigações e decisões
Atualizado em: 28/01/2026
Categoria:
Unidade de Negócio:

O que você entende por forense digital? O termo “forense” lembra muito investigações criminais conduzidas nos tribunais e no campo pericial. E, de certa forma, está relacionado à produção e análise de provas. No entanto, seu foco está na identificação e reconstrução de fatos no ambiente digital.

No artigo de hoje vamos entender mais a fundo sobre essa área, sua importância e quando a empresa deve cogitar o apoio especializado em forense digital.

O que é forense digital e por que ela é importante em incidentes cibernéticos?

Forense digital, ou perícia em crimes cibernéticos, é um ramo dentro do campo da segurança da informação dedicado a coletar, preservar, examinar e analisar evidências digitais.

Sua especialização envolve técnicas, metodologias e ferramentas de análise forense para que quaisquer crimes computacionais, como ataques cibernéticos, invasão de sistemas, vazamento de dados e fraudes eletrônicas, sejam identificados e comprovados de forma técnica e juridicamente válida.

Recentemente, a Check Point Software divulgou o Relatório Global de Inteligência de Ameaças explanando o volume de ataques ocorridos em outubro de 2025 dentro das organizações: média de 1.938 ataques cibernéticos por semana.

O fato reforça, mais uma vez, o que temos acompanhado nos últimos anos. As ameaças digitais têm atingido proporções cada vez mais elevadas, reforçando a importância de investigar incidentes cibernéticos com profundidade.

Antes, médias e grandes corporações reservavam a responsabilidade de responder a incidentes a equipes de TI e segurança da informação. Porém, agora, com a complexidade dos ataques crescendo, muitas têm cogitado estruturar uma área para realizar a investigação digital, documentar e sustentar tecnicamente suas próprias ocorrências de segurança.

Como funciona a forense digital nas empresas

Funciona praticamente como qualquer processo investigativo, só que o objetivo nesse caso é fazer uma auditoria digital naquilo que compõe o próprio ambiente corporativo.

Incidentes relacionados à violação de dados, acessos não autorizados, fraudes internas e uso indevido de sistemas. Essas situações são analisadas tecnicamente a partir da forense digital.

O objetivo éentender a fundo o que ocorreu, de modo que a empresa consiga agir, corrigir vulnerabilidades e tomar decisões embasadas em fatos técnicos. Inclusive, realizar a recuperação de dados forense.

Quais riscos sua empresa corre ao depender apenas de equipes internas?

Ainda que a empresa tenha uma equipe interna forte e qualificada para cuidar da TI, nem sempre os profissionais estão preparados técnica ou metodologicamente para lidar com a investigação digital.

O tempo de atribuição das demandas operacionais – para cuidar de tudo que envolve o ambiente tecnológico – e até mesmo a insegurança técnica e falta de ferramentas de análise forense podem deixar a empresa exposta a situações que se agravam com o passar dos anos.

E, ao falarmos de situações críticas, não estamos nos referindo a falhas simples que podem ser corrigidas com ajustes pontuais. Mas sim de incidentes graves, que não só ocasionam prejuízos financeiros, como colocam em xeque a reputação, a credibilidade e a continuidade da empresa.

São situações como a do ataque cibernético à Jaguar Land Rover, que causou prejuízo recorde de R$ 14 bilhões ao Reino Unido. Ou da própria C&M Software, empresa de tecnologia que conecta instituições financeiras aos sistemas do Banco Central (BC), que foi duramente impactada por um ataque hacker que desviou quase R$ 1 bilhão.

Leia também o texto sobre Digital Risk Protection e como ele previne ataques cibernéticos

Como a forense digital ajuda a identificar a origem de um ataque?

A forense digital passou a ser mais requisitada em razão de sua capacidade de ir além da contenção de incidentes: ela ajuda a identificar a origem de um ataque, o que permite compreender como ele aconteceu, por onde começou e até onde se estendeu.

E como funciona?

A partir da coleta controlada de evidências por ferramentas de análise forense, e respeitando a cadeia de custódia digital, a área analisa:

  • Registros de acesso;
  • Logs de sistemas;
  • Histórico de autenticação;
  • Tráfego de rede;
  • Arquivos alterados e metadados. 

Esse compilado de evidências técnicas permite reconstruir uma linha do tempo técnica do incidente, identificando o ponto inicial da invasão, os vetores explorados e os movimentos realizados dentro do ambiente comprometido.

Além disso, a análise forense possibilita diferenciar falhas operacionais de ações maliciosas intencionais, identificar se houve persistência do atacante no ambiente e avaliar se dados foram exfiltrados ou manipulados. 

Você também pode gostar | Cibersegurança nas empresas: da responsabilidade da TI à prioridade estratégica corporativa

Quando sua empresa deve buscar apoio especializado em forense digital?

A empresa deve buscar apoio especializado em forense digital sempre que houver um incidente de segurança que ultrapasse a simples identificação de uma falha técnica. 

Situações que envolvem vazamento de dados, acessos indevidos, fraudes, suspeitas de sabotagem interna ou ataques externos exigem uma abordagem que vá além da correção imediata do problema.

Outro indicativo é quando há a necessidade de preservar evidências para fins legais, regulatórios ou contratuais. A atuação inadequada sobre sistemas comprometidos pode prejudicar provas importantes, inviabilizando auditorias, investigações digitais internas ou até processos judiciais futuros. 

Também é recomendável recorrer a especialistas quando a empresa precisa entender a real extensão do incidente. Muitas organizações acreditam ter contido um ataque, mas não conseguem afirmar com certeza se o ambiente está completamente seguro ou se ainda existem pontos comprometidos.

A Selbetti Cybersecurity solutions, que é especialista em soluções em cibersegurança, desenvolveu uma solução voltada para empresas que precisam de respostas estruturadas a incidentes, e que se conecta diretamente aos processos de forense digital: o Security Operation Center- SOC. Ele foi projetado para se adaptar à realidade de qualquer segmento, com estratégias e monitoramento 24×7 sob medida.

Recomendamos também a leitura do texto Monitoramento Proativo

Principais dúvidas sobre Forense Digital

Quais tipos de ataques cibernéticos mais exigem a atuação da forense digital?

Casos de ransomware, vazamento de informações, acessos não autorizados, fraudes internas, comprometimento de credenciais e ataques persistentes são exemplos em que a análise técnica forense é importante.

A forense digital pode ser usada preventivamente ou apenas após um incidente?

Embora seja mais conhecida pela atuação pós-incidente, a forense digital também pode ser aplicada de forma preventiva. A definição de procedimentos, ferramentas e responsabilidades antes de um evento facilita a resposta, reduz erros durante a investigação e garante que evidências sejam preservadas.

Como garantir a validade jurídica das evidências coletadas em uma investigação digital?

A validade jurídica depende do respeito a métodos técnicos reconhecidos e à cadeia de custódia digital. Inclui coleta controlada, preservação da integridade dos dados, documentação de cada etapa do processo e uso de ferramentas de análise forense.

Qual é a diferença entre um SOC e uma equipe interna de TI na resposta a incidentes?

A equipe interna de TI atua principalmente na manutenção e operação do ambiente tecnológico. Já um SOC é dedicado ao monitoramento contínuo, detecção de ameaças e resposta estruturada a incidentes.

Quanto tempo, em média, leva uma investigação forense digital completa em empresas de médio porte?

O tempo varia conforme a complexidade do incidente e o volume de dados analisados, mas em empresas de médio porte uma investigação forense digital costuma levar algumas semanas.

Luiz Rossi

Formado em Economia pela FAAP, é pós-graduado em Ciência da Computação pelo ITA e em Finanças e Gestão de Informações pela FGV. Atua com governança, riscos e compliance, com sólida experiência nos frameworks ITIL, COSO, COBIT, NIST, MITRE, SAML, CSA, SOX, ISO 27001, ISO 27701, metodologias ágeis, SOC2 e PCN (Plano de Continuidade de Negócios).

Assine nossa newsletter

profissional usando notebook e computador para ilustrar texto sobre forense digital

Forense digital em incidentes cibernéticos: quando sua empresa precisa ir além do básico

A Forense digital identifica, analisa e reconstrói fatos no ambiente digital por meio de evidências técnicas, apoiando investigações e decisões estratégicas...
hacker para ilustrar texto sobre aumento de ataques cibernéticos e criação da BU Selbetti Cybersecurity solutions

Ataques cibernéticos crescem no Brasil e Selbetti reestrutura nova Unidade de Negócio

Com o avanço dos ataques cibernéticos no Brasil a Selbetti reestrutura a unidade Cybersecurity Solutions para oferecer, soluções integradas....

Conteúdos relacionados