O crescimento dos afastamentos relacionados a transtornos psicológicos e emocionais transformou a saúde mental em uma pauta estratégica para as empresas. Além dos impactos sobre produtividade, engajamento, absenteísmo e retenção de talentos, o tema passou a receber maior atenção dos órgãos reguladores e das áreas de Recursos Humanos.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, foram concedidos 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,6% em comparação ao ano anterior.
A preocupação também é global. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de problemas de saúde associados a riscos psicossociais, como excesso de trabalho, assédio, insegurança no emprego e pressão constante por resultados.
Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que ansiedade e depressão provoquem a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando um impacto econômico global de aproximadamente US$ 1 trilhão em produtividade.
Diante desse cenário, a NR-1 atualizada amplia a gestão de riscos ocupacionais ao incluir os riscos psicossociais entre os fatores que devem ser identificados, avaliados e monitorados pelas empresas. Para o RH, a mudança reforça um papel ainda mais estratégico, unindo conformidade legal e gestão de pessoas.
Neste artigo, você entenderá o que mudou com a norma, quais são os impactos para as organizações e como a tecnologia pode apoiar a adequação às novas exigências. Confira!
O que é a NR-1 e por que ela foi atualizada?
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho e orienta a gestão dos riscos ocupacionais nas empresas.
Entre seus principais instrumentos estão o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), responsáveis por identificar, avaliar e controlar situações que possam comprometer a saúde dos trabalhadores.
A atualização da norma busca tornar a prevenção mais abrangente, acompanhando as mudanças nas relações de trabalho e os desafios enfrentados pelas organizações. Com isso, os riscos ocupacionais deixam de considerar apenas agentes físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.
A NR-1 atualizada passa a reforçar também a necessidade de identificar, avaliar e monitorar riscos psicossociais, como excesso de trabalho, pressão por resultados, assédio e problemas de relacionamento no ambiente corporativo.
O objetivo é ampliar a proteção à saúde dos colaboradores e incentivar uma gestão mais preventiva e integrada.
NR-1 atualizada: quais são as principais mudanças para as empresas?
A principal mudança trazida pela NR-1 atualizada é a ampliação da gestão de riscos ocupacionais para contemplar fatores psicossociais que possam afetar a saúde física e mental dos trabalhadores.
Na prática, isso significa que as empresas precisam adotar processos estruturados para:
- Identificar riscos psicossociais existentes na organização;
- Avaliar o impacto desses riscos sobre os colaboradores;
- Implementar medidas preventivas e corretivas;
- Monitorar continuamente os resultados das ações realizadas;
- Registrar evidências que demonstrem conformidade com a norma.
A atualização também reforça a responsabilidade das organizações em promover ambientes de trabalho saudáveis e sustentáveis.
Outro ponto importante é a necessidade de integração entre diferentes áreas da empresa. O cumprimento da norma deixa de ser uma atribuição exclusiva da área de Saúde e Segurança do Trabalho e passa a exigir colaboração entre RH, lideranças, gestores e demais áreas estratégicas.
Além disso, as empresas devem manter documentação atualizada e registros que comprovem as ações realizadas para identificação, monitoramento e mitigação dos riscos identificados.
A adequação, portanto, não é um projeto pontual, mas um processo contínuo de melhoria organizacional.
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O que muda para o RH com a NR-1 atualizada?
Com a inclusão dos riscos psicossociais na gestão de riscos ocupacionais, o RH assume um papel ainda mais estratégico dentro das organizações.
A área passa a ser responsável por apoiar a identificação de fatores que afetam a saúde mental dos colaboradores, acompanhar indicadores relacionados ao ambiente organizacional e desenvolver ações preventivas que contribuam para a redução dos riscos.
Entre as principais responsabilidades do RH estão:
- Monitorar o clima organizacional;
- Acompanhar indicadores de experiência do colaborador;
- Identificar fatores de risco relacionados à saúde mental;
- Desenvolver programas de prevenção e conscientização;
- Apoiar lideranças na construção de ambientes saudáveis;
- Utilizar dados para orientar decisões e investimentos.
Mais do que cumprir uma exigência legal, o RH passa a atuar como agente estratégico na construção de uma cultura organizacional mais saudável, produtiva e sustentável.
Quais riscos psicossociais devem ser observados?
Os riscos psicossociais podem estar presentes em diferentes aspectos da rotina corporativa.
Entre os principais fatores que merecem atenção estão:
- Sobrecarga de trabalho;
- Jornadas excessivas;
- Falta de reconhecimento profissional;
- Assédio moral;
- Conflitos interpessoais;
- Baixa autonomia para execução das atividades;
- Pressão excessiva por metas e resultados;
- Falhas de comunicação;
- Lideranças despreparadas;
- Ambientes com baixa previsibilidade e insegurança organizacional.
Quando não identificados e tratados adequadamente, esses fatores podem gerar consequências como aumento do absenteísmo, afastamentos médicos, presenteísmo, queda de produtividade, aumento do turnover e redução do engajamento.
Por isso, a gestão desses riscos deve ser incorporada à estratégia organizacional de forma permanente.
Como sua empresa pode se preparar para estar em conformidade?
A adequação à NR-1 atualizada exige uma abordagem contínua de identificação, prevenção e monitoramento dos riscos psicossociais. Para começar, sua empresa pode seguir quatro passos principais:
- Mapeie os riscos psicossociais: Identifique fatores que podem afetar a saúde mental dos colaboradores, como sobrecarga de trabalho, pressão excessiva, falhas de comunicação e conflitos internos.
- Colete dados e ouça os colaboradores: Utilize pesquisas de clima, pesquisas de engajamento, feedbacks estruturados e canais de escuta ativa para entender a percepção dos profissionais e identificar oportunidades de melhoria.
- Desenvolva planos de ação: Transforme os diagnósticos em iniciativas práticas, como capacitação de lideranças, programas de saúde mental, revisão de processos e ações para fortalecer a cultura organizacional.
- Monitore indicadores continuamente: Acompanhe métricas como absenteísmo, turnover, eNPS, engajamento, afastamentos por saúde mental e produtividade para avaliar a eficácia das ações e orientar decisões baseadas em dados.
Como a tecnologia ajuda as empresas a atenderem as exigências da NR-1 de 2026?
Atender às exigências da NR-1 de 2026 requer muito mais do que ações pontuais. As organizações precisam estruturar processos de rh, manter registros atualizados, acompanhar indicadores continuamente e transformar informações em ações preventivas voltadas à saúde e segurança dos colaboradores.
Nesse contexto, a tecnologia se torna uma aliada estratégica para o RH e para as áreas de Saúde e Segurança do Trabalho.
As soluções de tecnologia da Selbetti apoiam tanto as demandas operacionais quanto as necessidades de gestão exigidas pela NR-1, permitindo centralizar informações, documentar ações, acompanhar indicadores e manter evidências de conformidade de forma segura e organizada.
Por meio da automação de processos com RPA, é possível reduzir atividades manuais, aumentar a rastreabilidade das informações e garantir maior controle sobre registros, gestão de documentos do RH e fluxos relacionados à gestão de pessoas.
A automação também facilita o acompanhamento de planos de ação, o registro de ocorrências e o monitoramento contínuo de indicadores ligados aos riscos psicossociais.
Além da eficiência operacional, a tecnologia amplia a capacidade analítica das organizações. Com a Interactive Intelligence da Selbetti, gestores podem acessar informações corporativas em linguagem natural, reunindo dados de diferentes sistemas em uma única plataforma baseada em inteligência artificial.
A solução permite identificar tendências, cruzar informações, gerar insights acionáveis e apoiar decisões relacionadas à saúde organizacional, à experiência do colaborador e à conformidade com a NR-1.
Quando combinadas, automação de processos de RH e inteligência de dados oferecem uma visão mais completa do ambiente corporativo, permitindo monitorar riscos de forma contínua, comprovar resultados e mensurar o impacto das iniciativas de RH em indicadores como absenteísmo, turnover, engajamento e produtividade.
Dessa forma, a tecnologia deixa de atuar apenas como suporte operacional e passa a desempenhar um papel estratégico na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e alinhados às exigências da NR-1.
Conclusão
A NR-1 atualizada amplia a gestão de riscos ocupacionais ao incluir os riscos psicossociais como parte essencial das estratégias de saúde e segurança no trabalho.
Mais do que uma exigência de compliance, a adequação à norma permite criar ambientes mais saudáveis, reduzir afastamentos, fortalecer a experiência do colaborador e tornar a gestão de pessoas mais estratégica e orientada por dados.
Nesse cenário, contar com um parceiro de tecnologia faz toda a diferença. A Selbetti apoia empresas na jornada de conformidade com a NR-1 por meio de soluções que combinam automação de processos, inteligência de dados e gestão da experiência do colaborador, ajudando organizações a monitorar indicadores, identificar riscos e transformar informações em decisões mais assertivas.
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