Como atender às novas recomendações do Bacen para gestão de riscos operacionais

Gestão de riscos operacionais alinhada às exigências do Bacen e da RC 18 até 2026.
Atualizado em: 21/08/2026
Unidade de Negócio: ,

A gestão de riscos operacionais deixou de ser um item secundário na pauta de compliance depois do colapso do Banco Master, em novembro de 2025.

A liquidação extrajudicial expôs falhas de controle em outras sete instituições do grupo. O episódio levou o FGC a reservar mais de R$ 51 bilhões para cobrir depositantes, gerando um impacto financeiro total de R$ 57,4 bilhões decorrente do caso. 

A Resolução BCB nº 265, de 2022, já determinava que instituições financeiras mantenham estrutura de gerenciamento contínuo e integrado de riscos, cobrindo desde risco de crédito até risco operacional, social e climático.

O caso Master acelerou o debate sobre reforço regulatório. Além de sinalizar a revisão das regras do FGC até 2027, o Banco Central e o CMN estabeleceram um marco imediato com a Resolução Conjunta nº 18 (RC 18), exigindo qualidade, governança e rastreabilidade total das informações prestadas à autarquia até 31 de dezembro de 2026

Quais são as novas exigências do Banco Central para a gestão de riscos operacionais?

O Banco Central exige que instituições financeiras integrem a gestão de riscos operacionais a uma estrutura de gerenciamento contínuo, com reporte à diretoria e ao comitê de riscos.

Essa exigência está detalhada na Resolução BCB nº 265/2022 e em normativos complementares publicados desde então.

A tabela resume os principais pilares cobrados pela autarquia.

Tabela com os pilares cobrados pelo Bacen resolução 262
Resolução BCB nº 265/2022

Instituições classificadas nos segmentos S1 a S4 têm prazos e exigências proporcionais ao porte. Conglomerados do tipo 3, como fintechs ligadas a instituições de pagamento, seguem regras específicas desde julho de 2023.

Como adequar a gestão de riscos operacionais às normas do Bacen?

Adequar a gestão de riscos operacionais às normas do Banco Central exige uma abordagem estruturada, que combine governança, controles internos e monitoramento contínuo. Na prática, os principais passos são:

  • Mapeie os processos críticos e identifique riscos operacionais que podem impactar a instituição.
  • Classifique e avalie os riscos conforme probabilidade, impacto e criticidade.
  • Implemente controles internos para prevenir, detectar e corrigir falhas.
  • Estabeleça políticas e governança alinhhadas às normas do Banco Central.
  • Monitore indicadores de risco e registre incidentes para acompanhamento contínuo.
  • Documente evidências e trilhas de auditoria para comprovar conformidade em fiscalizações.
  • Revise e atualize a gestão de riscos periodicamente, incorporando mudanças regulatórias e melhorias nos processos.

Resolução Conjunta nº 18 (RC 18): por que a qualidade da informação se tornou o novo pilar do risco operacional?

Enquanto a Resolução BCB nº 265 consolida as diretrizes para a governança integrada de riscos, a Resolução Conjunta nº 18 (RC 18), do Banco Central e do CMN, transforma a qualidade e a rastreabilidade das informações prestadas à autarquia em uma obrigação auditável.

Com prazo-limite de adequação fixado para 31 de dezembro de 2026, a diretriz da supervisão é clara: a instituição não será avaliada apenas pelo que declara em suas políticas, mas pelo que consegue efetivamente demonstrar e comprovar sob fiscalização.

Em um ecossistema conectado por Pix e Open Finance, inconsistências entre reportes e bases de dados ficam expostas em tempo real. A RC 18 exige governança contínua em três macrocategorias:

  • Conteúdo e exatidão: integridade, consistência e ausência de distorções nos dados operacionais reportados.
  • Uso e compreensão: catalogação formal de ativos críticos e linhagem operacional mapeada de ponta a ponta.
  • Operação e entrega: tempestividade, segurança no tráfego e registros de auditoria permanentes.

A incapacidade de reconstruir o percurso de uma informação enviada ao Bacen expõe a organização ao regime sancionador da Lei nº 13.506/2017, com penalidades que podem alcançar até 0,5% da receita de serviços e produtos financeiros, além de imputar responsabilidade direta ao diretor estatutário designado.

Por que a falta de padronização nos processos eleva os riscos em fintechs e cooperativas?

A falta de padronização eleva os riscos porque processos manuais e não documentados dificultam identificar falhas antes que elas gerem prejuízo financeiro ou sanção regulatória.

Fintechs em crescimento acelerado costumam priorizar velocidade de lançamento em detrimento de controles internos consistentes.

Os efeitos dessa lacuna aparecem em situações recorrentes:

  • Decisões de crédito e liquidez tomadas sem histórico de dados confiável.
  • Planos de continuidade das operações inexistentes ou nunca testados.
  • Ausência de trilha de auditoria para eventos de perda operacional.
  • Dependência de poucos colaboradores para processos críticos, sem documentação de backup.

Cooperativas de crédito enfrentam desafios semelhantes. Muitas ainda operam com sistemas legados que não se comunicam entre si, o que compromete a qualidade dos indicadores de risco reportados ao Banco Central.

Leia também o texto: Governança de Dados para Atender à RC 18 do Bacen

Como a revisão de processos e a governança blindam as instituições financeiras contra sanções?

A revisão de processos blinda instituições financeiras porque reduz a distância entre o que a política de riscos determina e o que efetivamente acontece na operação diária.

Com a vigência da RC 18, a exposição regulatória deixa de ser apenas teórica: inconsistências em reportes e falhas de rastreabilidade podem gerar penalidades de até 0,5% da receita de serviços e produtos financeiros (nos termos da Lei nº 13.506/2017), além de apontamentos e responsabilização direta ao diretor estatutário designado. 

Três movimentos sustentam essa proteção.

  1. Mapeamento completo dos processos críticos, com donos definidos para cada etapa.
  2. Auditoria interna independente, capaz de testar controles antes que o Bacen o faça.
  3. Comitê de riscos com poder real de decisão, não apenas função consultiva.

Com a consultoria empresarial Selbetti Business Consulting, o mapeamento de processos críticos e a estruturação de comitês de risco ganham metodologia validada em projetos de conglomerados financeiros, assegurando que a governança se traduza em conformidade auditável e defensável sob fiscalização 

De que forma a infraestrutura de TI garante a continuidade dos negócios exigida pelo Bacen?

A infraestrutura de TI garante a continuidade das operações porque sustenta os planos de recuperação exigidos pela Resolução BCB nº 265, que prevê testes periódicos de resiliência para processos considerados críticos.

Componentes técnicos exigidos na prática

  • Redundância de dados e sistemas em ambientes geograficamente distintos.
  • Monitoramento de disponibilidade de aplicações críticas em tempo real.
  • Testes de estresse simulando indisponibilidade de sistemas por período prolongado.

Papel da gestão de dispositivos e impressão corporativa

  • Controle centralizado de acesso a equipamentos que processam informação sensível.
  • Rastreabilidade de documentos impressos em processos regulatórios ou de auditoria.
  • Redução de pontos cegos de segurança em ambientes híbridos de trabalho.

As soluções de IT Solutions da Selbetti sustentam essa redundância com infraestrutura gerenciada e monitoramento contínuo de disponibilidade, reduzindo o tempo de resposta a falhas críticas. 

Como a inteligência de dados permite monitorar indicadores de risco em tempo real?

A inteligência de dados permite monitorar indicadores de risco em tempo real porque substitui relatórios retroativos por painéis que atualizam exposição, liquidez e eventos de perda operacional continuamente.

Modelos de inteligência artificial aplicados a esse monitoramento identificam padrões anômalos em transações e acessos antes que se transformem em incidentes reportáveis.

Esse tipo de monitoramento também facilita a resposta a pedidos da supervisão bancária, já que os dados ficam organizados e auditáveis desde a origem.

Conclusão:

Como você viu ao longo do texto, a gestão de riscos operacionais tornou-se um diferencial estratégico para instituições financeiras que precisam demonstrar conformidade, rastreabilidade e resiliência diante das exigências do Bacen.

Com a expertise da Selbetti em governança, processos, infraestrutura de TI e inteligência de dados, sua instituição acelera a adequação à RC 18 e fortalece uma operação preparada para auditorias e crescimento sustentável.

Sua instituição já tem visibilidade completa sobre os indicadores de risco que o Banco Central pode cobrar amanhã?

A Selbetti apoia bancos, fintechs e cooperativas na estruturação de infraestrutura de TI, cibersegurança e gestão empresarial, alinhada às exigências regulatórias do setor financeiro.

Conheça todas as soluções de tecnologia da Selbetti e saiba como elas podem ajudar na adequação da sua empresa!

Dúvidas frequentes

Quais são os pilares essenciais da nova recomendação do Banco Central para riscos operacionais?

Os pilares centrais são estrutura integrada de gerenciamento de riscos, governança de dados, planos testados de continuidade das operações e relatórios periódicos para diretoria e conselho, conforme a Resolução BCB nº 265/2022.

Como a automação e o redesenho de processos ajudam a evitar fraudes em bancos e fintechs?

A automação reduz intervenção manual em etapas sensíveis, cria trilha de auditoria automática e permite identificar padrões suspeitos de transação antes que gerem perda financeira ou reputacional.

Qual é a vantagem de utilizar modelos de inteligência artificial para a conformidade regulatória?

Modelos de IA processam grandes volumes de dados operacionais em tempo real, antecipam desvios de conformidade regulatória e reduzem o tempo de resposta a exigências de reporte do Banco Central.

Qual é o prazo para as instituições financeiras se adequarem à RC 18 do Bacen?

O prazo final para que bancos, fintechs e cooperativas estejam em conformidade auditável nas 12 dimensões de qualidade de dados da Resolução Conjunta nº 18 é 31 de dezembro de 2026.

Charles Prada

Bacharel em Ciências da Computação, mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela UFSC e especialista em Desenvolvimento Web. Acumula mais de 20 anos em projetos de inovação e transformação organizacional. Detém certificações PMP, ITIL, CTFL e SAFe® Agilist, sendo referência em gestão e metodologias ágeis.
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